Acabamento projetado

Entrevista com o Engenheiro Marcelo Stievano, da Brascad Engenharia, sobre a técnica de projeção de argamassa.
Tradicional, o gesso liso é largamente empregado em revestimentos internos. Uso de equipamentos mecânicos aumenta produtividade, mas ainda tem altos custos.


A depender do lugar onde se constrói, pode ser bem difícil encontrar empresas que tenham à disposição bombas-misturadoras para a aplicação do revestimento interno de gesso. Em todo o Brasil, há apenas cerca de 130 desses equipamentos, e em cidades como São Paulo, ainda costuma-se dar preferência à aplicação manual do gesso liso.


"O gesso projetado, por sua vez, mesmo que ofereça maior produtividade e melhor desempenho, tem uma grande desvantagem: custa, em média, 40% mais", aponta Marcelo Stievano, engenheiro civil da Brascad Engenharia de Revestimentos.


Para São Paulo, o problema do custo está na distância até os fornecedores, que ficam, em sua maioria, no Nordeste do País, quando se contabiliza o frete. No Sudeste, enquanto o metro quadrado do gesso liso aplicado sai por R$ 8 ou R$ 9, o projetado pode chegar a custar mais que R$ 13.


Outro item que deve ser considerado na utilização do gesso projetado é manutenção das máquinas, que exige planejamento e mão-de-obra especializada. Uma máquina nova, importada, custa a partir de R$25 mil – e é preciso considerar que poucas peças de reposição são fabricadas no Brasil. Além disso, o uso do gesso projetado exige material de melhor qualidade, que não é encontrado em qualquer lugar, ou mesmo próximo dos grandes centros consumidores.



A máquina de projetar argamassa exige um operador experiente, cuidados para o equipamento não entupir e matérias-primas de qualidade


Prós e contras


É possível encontrar no mercado, assim, duas formas de uso do gesso como revestimento interno. O liso é aplicado manualmente, enquanto o projetado, em material também conhecido como argamassa de gesso projetada, tem como principal aglomerante o gesso (sulfato de cálcio hemidratado tipo beta, carbonato de cálcio, cal hidratada e aditivos orgânicos), e é aplicado com uma bomba-misturadora.


O gesso projetado é uma técnica de revestimento para tetos e paredes executada mediante projeção mecânica do material, por equipamento especializado que dosa, mistura e bombeia a matéria-prima através da mangueira de projeção.


A argamassa de gesso pode ser aplicada diretamente sobre a alvenaria, substituindo o sistema tradicional de chapisco, emboço e reboco. Por não ser muito resistente à umidade, ela só é utilizada em ambientes internos, mas proporciona grande economia no custo final da obra, tanto em material – a máquina reduz o desperdício –, quanto em mão-de-obra, ao aumentar bastante a produtividade.


Segundo Gilberto Nunes Ferreira, da Arga Jet Mix, um gesseiro faz 25 m2 numa espessura entre 0,50 e 1 cm por dia de trabalho, enquanto um aplicador de projetado consegue cobrir 40 m2/dia, em espessuras de até 4 cm.


Para Marcelo Stievano, "o gesso liso não é a melhor solução, porque não possui aderência ideal nem flexibilidade suficiente, e sua trabalhabilidade é menor, o que significa que a mistura se inutiliza em pouco tempo, provocando grande desperdício de material". Ele conta que, hoje, como os pilares são mais estreitos do que antes, quando tudo era mais superdimensionado, os revestimentos têm de ser mais flexíveis. "As deformações naturais tornam-se cada vez mais presentes e precisam ser absorvidas pela camada de gesso."


Já há no mercado, contudo, materiais para aplicação manual que prometem baixo desperdício (só 5%, ao contrário dos 45% estimados pelo projeto Finep Habitare); maior tempo útil para a aplicação, graças à utilização de aditivos, como retardadores de pega para maior durabilidade da mistura, além de exigirem menor esforço dos aplicadores.


No caso da argamassa de gesso, que é mais aderente, sua flexibilidade também é maior e pode, inclusive, ser utilizada manualmente. O gesso liso, por outro lado, nunca será empregado em equipamento de projeção, pois a técnica exige o melhor material.


O gesso deve ser estocado em lugar seco, sobre paletes de madeira, com empilhamento máximo de 15 sacos e afastado das paredes, e deve ser usado em até 120 dias após sua data de fabricação.


A questão da qualidade precisa ser muito bem observada: "Há inúmeros fornecedores, principalmente no Nordeste, onde se encontram as jazidas de hemidrato de cálcio, e a qualidade do material determina até mesmo seu nível de desperdício", alerta Antonio Carlos Franck, da Gesso New .


Cuidados de base


Antes de dar início à aplicação, seja ela manual ou projetada, deve-se observar se a superfície está limpa de pó, óleo, graxas ou outro material que possa diminuir sua aderência.


Se a superfície for lisa, como no caso de estruturas de concreto, o gesso liso pede aplicação de chapisco rolado (ou na colher), ou à base de emulsão adesiva. É preciso sempre verificar o esquadro de encontro entre as paredes e o teto, além dos alinhamentos vertical e horizontal e o prumo.


Quando a técnica empregada for a projetada, o gesso pode ser utilizado para revestir superfícies de concreto, blocos cerâmicos ou de concreto. "Geralmente, o traço é feito em 27 l de água para cada saco de 40 kg de gesso, sendo a trabalhabilidade da mistura de até 180 minutos", explica Ferreira.


Para o gesso projetado, os cuidados iniciais são ainda maiores: a alvenaria deve estar concluída e verificada; os contramarcos das esquadrias, fixados; os equipamentos devem estar ajustados e com gesso e água disponíveis nas quantidades certas, enquanto as instalações elétricas e suas caixas devem estar protegidas com buchas de papel amassado.


Para preparar a base, primeiro é executado o assentamento de taliscas de no mínimo 5 mm de espessura. Elas ficam, no máximo, a 1,80 m de distância umas das outras, e a 30 cm dos pontos de acabamento ou quinas. Passadas 24 horas do assentamento, inicia-se a execução de mestras, com uma régua de alumínio de pelo menos 2 m de comprimento e 5 cm de largura, finalizando-se o preparo da base.


Antes de usar o equipamento de projeção, deve-se umedecer a mangueira com um fluxo constante de água e limpá-lo também após o uso, até que a água saia limpa.


Revista Téchne

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